14.9.16

Não voltei a chorar. Desde aquele mês terrível, não voltei a chorar. Não por defesa, não por querer mostrar-me forte - definitivamente, não foi por não estar a sofrer. Não sei porquê, mas não o fiz mais. Dói-me a ausência de cada vez que entro pela porta da casa dentro. Dói-me o plural em cada vez que falo nos "meus avós", mas não faz sentido referir um sem o outro quando completos eram o verdadeiro exemplo de união. Não voltei a chorar até ao meu aniversário. Ali, no silêncio tranquilo de uma noite de verão à beira da piscina doeu-me a morte de novo. Finalmente voltei a cair em mim e a perceber o que foi este último ano, tudo aquilo que trouxe, tudo aquilo em que me transformou. Há um ano atrás tudo o que eu queria era mudança, tudo o que eu esperava era que a liberdade soubesse bem. E soube. O que eu não sabia era que as mudanças podiam ser diferentes do que eu esperava, que podiam ser nos campos que julgava firmes e eternos. O que eu não sabia era que as mudanças podiam ser tão drásticas e abalar tão fortemente a estrutura de uma alma. Admito, perdi-me. Afastei-me de todos aqueles que a convivência diárias e os compromissos sociais não me obrigavam a estar presente. Apreciei, em alguns momentos de forma exagerada, a minha própria companhia. Abracei a solidão com toda a força e fiz dela refúgio e escudo. Precisei de muito tempo até conseguir conversar comigo mesma e perceber em que aspectos realmente mudei, e em que medida. Ainda vou descobrir cicatrizes em mim, e eu sei disso. Passados sete meses voltei a chorar. Porque tudo o que eu queria neste mundo era ter ouvido a tua voz naquela chamada que correu todos os elementos da família. Tudo o que eu queria era sentir, como sempre, que não sabias o que me dizer para além do típico "Parabéns, e que se repita por muitos anos!". Porque não se vai repetir. Porque tu não estás cá. Porque a partir de agora vai ser sempre a doer mais e mais: o Natal, a passagem de ano, o dia 13 de fevereiro que será sempre um dia de azar mesmo que não calhe a uma sexta-feira. Porque embora saiba a pouco, ter-te eterno na memória e no coração vai ser a única maneira de nos manter unidos para sempre. Falta-me o ar só de pensar que não estarás cá para nos ver ser finalistas - mas sei que nos vais abençoar, onde quer que estejas. 
Estes meus vinte anos não foram nada do que eu no fundo desejei para mim. Diz a música que a vida é sempre a perder. Agora percebo-lhe o sentido.

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