24.11.15

Abriste os braços para me acolher sabendo desde logo que era envenenado esse presente que me davas. Não havia razões para eu te negar e ainda assim decidiste testar-me. Como se um peão fosse movimentaste-me da forma que te era mais conveniente. Fizeste-me rodopiar sobre mim mesma, sabendo que me sentiria bailarina, sabendo que parando tu a música eu cairia inanimada. Viraste tudo de pernas para o ar para garantir que não escondia nada em bolsos secretos, viraste-me do avesso para garantires que até por dentro te queria em mim. Permitiste que conhecesse apenas o que te convinha e eu nem desconfiei. Davas-me com uma mão para que eu não me apercebesse que me escondias um mundo na outra. Apagaram-se as luzes, veio o silêncio e a solidão. Só mais tarde percebi que não posso confiar em quem me abre as portas de sua casa sem antes abrir as portas da sua alma.

1 comentário:

jo disse...

Como sempre, um prazer ler-te!