16.9.15

  [sobre colocar o amor no centro da vida]

Não há fórmulas secretas nem truques de magia, as coisas são como são. Se exageramos ou forçamos, não é genuíno, como não é genuíno se diminuirmos o que sentimos para corresponder a expectativas. No fundo gira tudo à volta disso mesmo: expectativas. O que esperamos enquanto estamos à espera? Não sei, mas sei que não esperamos o que vamos receber. Idealizar nunca foi o caminho, assim como pintar de negro não tira o brilho a quem o tem. Assim, o amor é como é. Há alturas em que nos deixa alucinados e por muito que seja, a intensidade com que o vivemos nunca nos chega, sempre nos sabe a pouco. Há outros momentos, porém, em que vivê-lo sossegado, sem grandes demonstrações, no silêncio que consente toda a ternura é a única solução. Não acredito na sinceridade de um amor que é espelhado e espalhado para que todos o vejam, para que todos se sintam actualizados e dúvidas não haja que a vida é perfeita.. Porque não o é. Usar o amor como tentativa de tornar a vida um lugar melhor só lhe tira a essência. Usar o amor como escape também não o torna mais verdadeiro. Vivê-lo, com todas as fases, com tudo aquilo a que tem direito, é o caminho. E se ele for o centro da nossa vida, melhor. Se não for... um dia vai tornar-se. Naturalmente. Sem que lhe moldemos o percurso.

2 comentários:

Raquel Pires disse...

Não sabes como foi bom ler isto hoje. E foi das coisas que escreveste que mais gostei! Obrigada de coração!

Raquel Pires disse...

Vou partilhar na página de facebook do meu blog, faço isso com os textos que mais gosto e este sem dúvida é um deles, espero que não te importes :p