1.9.15

balanço de aniversário

E amanhã soma-se mais um ano. Sei, com certeza, que não é o dia dois que me faz crescer, mas sim os trezentos e sessenta e cinco que lhe antecederam. E este ano, em especial, foi mágico.
Este foi o ano que da melhor forma começou: a nossa primeira viagem mais longa a dois. Conhecer o outro num espaço novo, conhecer a forma como nos comportarmos só com o outro. Recarregar baterias para a entrada no ensino superior, com todas as mudanças e medos que isso implica. A felicidade de ter sido a primeira colocada na minha primeira opção, o receio de não ter feito a escolha certa. Conhecer Braga como se fosse a minha cidade natal, conhecer todos os caminhos e cada lugar especial. Todas as pessoas que conheci nesta nova aventura, os colegas, os doutores, o prazer de ter aulas com grandes professores, aprender mais sobre aquilo que gostamos e descobrir que outras áreas também me fascinaram. Foi o ano da primeira recepção, do primeiro cortejo e do primeiro Enterro da Gata. Foi um ano intenso, em que senti muita pressão e que não estava no meu melhor, que não conseguia ser eficaz em todas as frentes. Pensar em abandonar uma das ocupações passou-me pela cabeça uma ou outra vez, mas não fazia sentido desistir depois de tanto esforço e de tantos sacrifícios. Foi o ano em que pela primeira vez tive de me deslocar diariamente de transportes públicos. O ano em que acordava às 6h30 para ter aulas às 9h. Nunca me vou esquecer do primeiro dia em que acordei tão cedo e chorei por sentir que não ia ser capaz de aguentar um ano inteiro assim. Mas aguentei. Tirei boas notas, fiz as cadeiras da área da matemática, fiz o cadeirão do curso logo no primeiro ano. Por isso o final foi tão marcante. Por isso chorei abraçada a todos os que me acompanharam, a todos os que lidaram com o meu mau humor, a todos os que me impediram de atirar a toalha ao chão.
Foi, também, o ano em que me integrei num novo grupo de amigos. Caí lá de páraquedas e hoje não me vejo sem nenhum deles. Sem dramas, sem cobranças. Os meus meninos e as minhas meninas, com quem já me diverti tanto, que são a melhor companhia para os dias de férias e para as noites de sábado. São sem dúvida uma parte fundamental da minha vida, e custa-me imaginar como vão ser os fins-de-semana sem eles.
E apesar de todas as novidades, não deixei de ser quem sou. Não deixei de amar o meu André, pelo contrário, amo-o ainda mais (se tal for possível). Agradeço todos os dias por ter alguém tão especial a meu lado. Alguém que ao longo destes quase seis anos nunca me abandonou nem me deixou enfrentar nenhum dos meus fantasmas sozinha, que sempre me foi colo e ao mesmo tempo base que me permite crescer. E cresci muito ao lado dele. Ainda hoje crescemos juntos, cada descoberta, cada novidade, tudo nos remete um ao outro, e é com ele que quero continuar o meu caminho, descobrir-me, descobri-lo, descobrir o mundo com ele. Tu sabes, meu querido, que continuarei a dar cada passo e a seguir cada caminho, sempre na ânsia de ser o melhor para nós. E cada decisão tem-nos como medida, tu sabes.
Não deixei de sonhar o meu futuro, de traçar planos, de gostar de planear tudo com imensa antecedência (com todas as desilusões que isso acaba por trazer). Estou onde quero estar. Sinto-me plena e realizada. Deixei para trás alguns hábitos e criei outros. Tornei-me mais mulher. Tornei-me mais eu, e descobri que posso ser várias coisas diferentes não perdendo a essência. Deixei de me obrigar a tolerar. Se não gosto não faço, não como, não convivo com. Continuei a dizer que não. Permiti-me a dizer que sim a outras coisas, mesmo àquelas que receio. Fiz dos livros companhia nas viagens matinais, mas ainda assim sei que li pouco. Troquei a televisão pelo youtube, troquei os domingos no sofá pela emoção do estádio. Vi muito futebol, estive na primeira fila para apoiar os amigos, chorei na bancada quando choravam no campo e jurei que nunca mais ia ver jogo nenhum. E na semana seguinte lá estava eu de novo. Tracei duas listas de objectivos - descurei a primeira e estou a divertir-me a riscar da lista muitos objectivos na segunda. Viajei muito de carro, e voltei muitas vezes aos locais onde fui feliz. Aprendi a gostar de sair à noite porque encontrei as pessoas ideais para o fazer. Saí do meu primeiro emprego, trabalhei durante um dia num sítio novo e recusei muitas ofertas porque não eram o que eu queria (aprender a perceber isso é algo de que me orgulho muito).
Vejo-me a começar mais uma grande aventura. Este ano será, de novo, de mudança, e desta vez no sentido literal. Anseio conhecer o meu novo quarto e fazer dele a minha nova casa. São muitos os receios e mais uma vez me pergunto se serei capaz de me adaptar a tantas diferenças. No fundo sei que sim, que serei capaz de enfrentar mais este fantasma. Sei-o porque quem me acompanha não me largará a mão, me será companhia e conforto. Ainda não parti e já tenho saudades. Ainda não cheguei e já sinto que vou ser muito feliz lá.
No meio de toda a minha felicidade, o resto são pormenores.

3 comentários:

patrice disse...

Muitos parabéns! E que venhas mais bons 365 dias assim :)

A. Margarida disse...

Que todos os dias do ano sejam generosos para ti...
A minha esperança na humanidade é renovada sempre que me lembro que, apesar de todo o mal, ainda há pessoas como tu, pessoas que colocam a felicidade e as energias positivas acima de qualquer coisa!
Sabes, este ano, tal como tu, também vou fazer do meu novo quarto a minha casa e, apesar de todos as pedras que virão no nosso caminho, tenho a certeza que eu e tu, tu e eu, seremos maiores que os nossos fantasmas. Ninguém bate a grandeza do nosso coração (e acredita, isso é a primeira condição para derrubar qualquer fantasma)

<3

Ordem do Saber disse...

Felicidades neste e nos próximos anos.

Abraços e uma boa semana.