14.8.15

O sujeito que eu escondi

Falas de ti como se fosses um livro aberto, mas no fundo sabes que não há ninguém no mundo que te entenda tão bem quanto tu. Por isso guardas tantos segredos, calas tantas dúvidas, escondes tantos desejos. Sabes que já não és a mesma. Viste-te obrigada a crescer, no fundo revoltada pela vida que levas. Sempre foste obrigada a lutar pelo que quase todos tiveram de mão beijada, e percebeste que as tuas oportunidades serás tu a construí-las. Ouviste muitos não, tantos que agora já nem perguntas. Cortas os teus pensamentos pela raiz para que não te conduzam ao sonho, para que não te levem à ilusão. Sabes bem quais são os teus objetivos, sabes bem qual o caminho que te fará feliz, ainda assim não o partilhas com ninguém, não o escreves, não o repetes. Sabes que ao fazê-lo os tornas oficiais e não conseguirias suportar outra vez a sensação de falhanço. Tremes cada vez que pensas no que te vai acontecer a seguir. A três semanas da mudança de uma vida não sabes ainda como serão os teus dias. Não sabes se irás aguentar a pressão, a distância, uma vida longe de tudo e todos os que sempre te acompanharam durante um ano inteiro. Temes pelo trabalho, pelas notas, pelo futuro dentro ou fora do país. Tinhas tudo para te perder, Mariana. Tudo. Mas tens, ainda assim, tudo o que precisas para ser estável. És das pessoas mais realizadas que conheces. Plena no amor, plena nas amizades, ciente de quem és. És aquela que ouvem, mas que nem sempre perguntam porque sabem que a resposta será dada sem floreados e panos quentes, ouvirão de ti sempre a verdade, sempre o que sentes, por isso evitam confrontar-te com as perguntas certas. No amor és a mais intensa, aquela que não esquecendo quem é faz de tudo para que o outro seja quem realmente é, mesmo que por vezes isso gere conflito, mesmo que por vezes isso te obrigue a parar e repensar. És a que planeia as viagens, a que planeia o futuro, abdicas da tua zona de conforto para poderes ter o conforto de uma vida a dois. Na amizade és a mais sincera, aquela que altera todos os planos se alguém de ti precisar, a que não pergunta (apenas te mostras presente), a que move mundos e fundos mas que depois de se sentir abandonada não mexe nem um centímetro por quem te falhou. Perdes a conta às amizades que deixaste de alimentar, ainda assim sabes que tens os melhores amigos que podias pedir. Deixaste para trás quem não te deixava ir para a frente. Vês na família pilar, e sem eles não avançarias. Gostas das viagens, da sensação de ser anónima num lugar que te é desconhecido, descobrir o teu parceiro de viagem enquanto descobres a cidade - e em ambos descobrires maravilhas e motivos pelos quais vale sempre a pena voltar. Gostas da conquista, de conquistar e de ser conquistada. Da sensação de estarem dispostos a ouvir-te, que por umas horas abdiquem de tudo e se dediquem a fazer-te feliz. Consegues ser feliz sozinha da mesma forma que és feliz acompanhada. És mar, és a tempestade e a acalmia. És o silêncio e a euforia. Sabes quem és. Sabes quem queres. Podes não saber como será o teu futuro, mas sabes que se for como foi a tua vida até agora, irás dar a volta por cima, mesmo que a vida te vire de pernas para o ar. Porque acabas sempre por voltar a estar de pé. Adoro-te.

3 comentários:

ak disse...

obrigada, Mariana!

Cláudia S. Reis disse...

És, acima de tudo, uma das melhores pessoas que eu conheço!

A. Margarida disse...

Querida Mariana, acredites ou não, foste das pessoas que mais me apoiou nos momentos mais dificeis desta minha tempestade.
És das melhores pessoas do mundo. Nunca me fartarei de dizer-te isto.
Adoro-te e fico contente por também te adorares. Nem podia ser de outra maneira <3