13.8.15


Aos poucos começamos a conhecer-nos melhor. Descobri, dia após dia, quem tu eras dentro de quatro paredes, no colo do meu abraço, na espontaneidade das refeições, no silêncio matinal que é bolha protetora do mau humor. Aqui e ali dava-te pistas de quem eu era, de quem tu me eras. Várias vezes te disse que a tua gargalhada me fazia lembrar as brincadeiras da infância, e que a tua mão na minha pele trará sempre o conforto de estrear os lençóis depois de lavados. O carinho com me olhas em silêncio, com que me contemplas como se fosse o teu maior tesouro, o brinquedo que nunca emprestei com medo que se partisse. A forma como me deixas sem fôlego, seres-me a bicicleta na qual aprendi a andar e de que nunca me desfiz por tão boas memórias e tão boas corridas; o fogo-de-artifício na noite escura, fechados no quarto ou noutro sítio qualquer.
Sei que foi nesta partilha que te perdi. Dizer-te com que filtros te via só fez com que deixasses de ser genuíno. Tentavas aproximar-te de todas as minhas expectativas, mesmo as mais irreais, mesmo as mais íntimas. Como se ser tudo o que eu sempre quis me fosse fazer gostar mais de ti, como se fosse possível eu apaixonar-me ainda mais por ti. Mas não podemos ser cada vez mais se ser mais for ser diferente de quem somos na nossa essência.

1 comentário:

Cláudia S. Reis disse...

Não há nada melhor do que sabermos que as pessoas que nos rodeiam são simplesmente elas mesmo!