3.7.15

delírios do desamor

Querias-me para suporte. Querias que te fosse chão para sobre mim te colocares em bicos de pés e pareceres maior. Calcar pessoas como quem escala montanhas, apenas com a vontade de ver mais, apenas com a ânsia de seres visto de ainda mais longe. Querias-me para braço direito mas eu só sei ser inteira. Não tínhamos pernas para andar, hoje sei-o. E por isso quando nos recordo não me sinto culpada, porque ninguém manda nos amores, tampouco no desamor. Fazer dele uma cruz e carregá-lo permanentemente, exibi-lo como chaga aberta a quem de nós se aproxima não é defesa, não é arma, é apenas uma desculpa para não seguir em frente. E o caminho começa sempre quando damos o primeiro passo.

4 comentários:

disse...

arrepiou-me e apeteceu-me dar o passo, aquele primeiro que dizer fazer começar o caminho. adorei!

Anónimo disse...

o amor têm destas coisas, acredita que o tempo é o melhor rémedio e é mesmo!
SOzinhos somos fortes!

Anónimo disse...

na tua opinião a partir de que momento é que sabes que amas uma pessoa?

Mariana disse...

Anónimo, isso é uma pergunta a que não sei responder. Eu demorei muito tempo a saber que amava. Ou. melhor dizendo, demorei muito tempo a ganhar coragem para o admitir a mim mesma, a ele e ao mundo. Acho que no fundo, tu sabes quando amas, tu sentes isso.