13.1.15

13 trinta

Era dia 30 e eu ainda não acreditava. Não sabia bem o que tinha acontecido. Começou sem haver sequer um primeiro beijo, o meu primeiro beijo que ainda tardou para acontecer. Começou quando em vez do nosso sinto tudo por ti me disseste amo-te sem medo da minha reação que havia sempre sido de fuga. Disseste-o e eu sorri, retribuí como se pela primeira vez tivesse sido sincera contigo. Amo-te, respondi eu. Sorriste. Sei o quanto esperaste e lutaste - desesperaste muito também, admito. Toda a caminhada para aquela madrugada tiveram um propósito: testaram a distância, a perseverança, o amor. Testaram sem qualquer intenção, nunca te quis colocar à prova (ainda hoje não o quero, nunca). Talvez nunca tenha querido admitir para mim mesma que te amava e que sabia que um dia ainda ia partilhar lençóis contigo. A cama já havíamos partilhado, nas tantas noites que passávamos em chamadas longas, mas nunca demasiado longas, que colmatavam todas as saudades e carências. Metaforicamente, paralelamente, não sei, mas sempre foi contigo que quis ficar. Em todas as oportunidades que tive de me relacionar com outras pessoas, em todas as vezes que te relacionavas com outras que tanto te magoavam e eu, sempre eu, a voltar a preencher-te o coração. Também tu não o admitias. Sabias que não havia nunca na tua vida passado alguém como eu. Dura, prática, mas ao mesmo tempo toda amor e preocupação. Disseste-me nessa madrugada por fora és pedra mas depois derretes-te como manteiga. és uma pedra de açúcar. Resumiste a minha postura numa só frase. Hoje crescemos. Quantos dias 29 já passaram? 60. E o melhor é sempre o dia 30. Em que tudo se torna real, em que vejo que não, não foi apenas um sonho.
E embora não o diga constantemente, amo-te. Sei que sabes.

1 comentário:

Ana Marisa disse...

Mariana, que bonito! Tanto sentimento e tão genuíno! :)