17.11.14

Mas não hoje.

Por vezes penso nas loucuras que já fiz e nas que apenas imaginando me fizeram sentir viva, mais viva do que muitos planos monótonos que outros me forçaram a fazer. Há quem passe pela vida apenas para cumprir protocolo, mas nós sempre tentámos ir mais longe. Quando páro para pensar, quando deixo que alguém me fale sobre nós, penso no quanto tempo já vivemos e quanto do mundo já descobri contigo. Ainda éramos dois miúdos, com 14 anos ainda não tinha muito para te ensinar nem epopeias para te contar. As palavras já faziam parte de mim, e em parte foi isso que nos uniu - a capacidade de expressar sentimentos e a vontade de os viver, de os sentir e os descrever minuciosamente mesmo sendo impossível pintar um quadro quando o nosso tema nunca foi visto. Evito escrever ou enumerar o tanto que já fizemos. Faço-o porque receio que se perca a magia ao tornar público o que de mais privado e cúmplice temos. Caminhos rotineiros percorremos, viagens em que nos perdemos - quantas foram já? - e lugares que me mostraste, lugares que te mostrei, lugares que juntos afocinhamos, com o olhar curioso e embevecido de quem é feliz e o sabe, de quem descobre algo pela primeira vez e sabe que nunca irá vislumbrar da mesma maneira.
É por isso que não escrevo acerco dos lugares nos quais juntos nos desligámos do mundo - e tão forçosamente me inibo de descrever o silêncio que nos rodeava com aquela baía pela frente, sem pessoas, só nós a sermos livres, sempre tão crianças quando somos livres, sempre tão adultos quando nos achamos sós - porque nunca serão os mesmos até que apaguemos memórias. E, se tal não é possível, ocupo-me a fazer novos planos e a tentar criar novas recordações, cada vez mais grandiosas, indescritivelmente mais intensas.
Talvez um dia me atreva a escrever e descrever-nos. Talvez.

1 comentário:

Sunshine disse...

Fantástico!
Por vezes, as palavras não bastam... Há sentimentos que são indescritíveis.