28.7.14

dos balanços de aniversário

Começa a aproximar-se o meu aniversário (ainda falta um mês, eu sei) e como tal eu entro em modo de balanço. Quando olho para trás e me procuro em julho passado não me encontro. Estava totalmente perdida. Mergulhada em indecisões e dúvidas sentia-me quase a perder o pé (e a cabeça!) num mar tão revolto. Não sabia o que fazer a seguir, não me sentia em condições de ir logo para o ensino superior mas quase todas as pessoas me "obrigavam" a vê-lo como passo seguinte (a pressão de ter boas notas, a pressão de ter de ser bem-sucedida apenas porque se tem boas notas). Tinha sido operada recentemente e tinha sentido a solidão como nunca antes imaginara ser possível. Quase todos os amigos que 
me juraram para sempre pouco ou nada fizeram para me ajudar, para aliviar o peso das nuvens escuras que dançavam no alto de mim. O facto de não poder sair de casa no pós-operatório não ajudou. Ver todas as pessoas felizes nas suas vidas enquanto que eu estava a afundar fez-me sentir cada vez mais revoltada com a vida. Ver toda a gente demasiado ocupada a ser feliz para me vir visitar ou planear algo comigo não ajudou. Senti-me perder o chão. Vi-me a escassos centímetros do precipício e não raras as vezes a minha vontade era atirar-me. Valeu-me o André, que sempre foi incansável e nunca desistiu de mim, que me limpou as lágrimas quando as dores físicas eram insuportáveis, que me levou a passear quando as dores emocionais me sufocavam. Se dúvidas havia de que ele é o melhor companheiro que eu podia ter, ficaram desfeitas. Valeram-me os meus pais, que sempre puxaram por mim, que cuidaram de mim, que me ajudavam a fazer a minha vida o menos limitada possível. Valeu-me a Mariana, a maior companhia que podia ter, mesmo que distante. A pessoa que tanto me ouviu, que tanto me escreveu, que tentou acabar com a minha solidão à distância e me perguntou o que me fazia feliz aqui, ao meu alcance, e me mandou ir fazê-lo. A Mariana que me dizia: não é por estares infeliz que as pessoas vão deixar de ter a sua vida, vai também tu fazer coisas que te animem. Valeram as meninas bloggers da conversa colectiva, eram as primeiras pessoas e últimas com quem falava diariamente. Hoje agradeço também a quem me ouve falar destas mágoas e me mostra as lições que devo tirar. Um obrigada à Maria João, à Susana, à Sílvia e à Andreia, à Cláudia Ventura, à Rosa Ana, à Lúcia, à Márcia Machado, à Sara Teixeira e à Joana Silva. Obrigada também aos meus primos, cada um à sua maneira me ajuda. Obrigada ao Ricardo, por ter estado presente e por transmitir a paz e optimismo que sempre preciso

Hoje, um ano depois, já sei qual o curso que vou seguir e estou contente com a minha escolha. Hoje trabalho e gosto do que faço. Continuo com o André do meu lado para todas as travessias, os meus pais continuam incansáveis e sinto-me cada vez mais feliz. Os amigos são menos (ou são em igual número, eu é que exagerava a contagem - e quão caro me saiu esse exagero!) mas são os meus. O meu grupo, os meus companheiros independentemente da distância. Há um ano atrás não achava sequer que fosse possível encontrar um caminho... hoje aqui estou a percorrer o meu cada vez mais decidida e confiante.

Obrigada também a quem me lê e a quem escreve, que não raras vezes foram a minha companhia diária.

1 comentário:

Cláudia S. Reis disse...

E, se assim o quiseres, estarei ao teu lado por muitos mais anos! Sabes que podes contar comigo para tudo querida Mari ♡♡ Mesmo longe estou sempre por perto :)