3.6.14

Um dia olhei-te nos olhos e disse: vou acabar contigo porque não podermos estar juntos diariamente é uma morte lenta e eu não quero isso para ti. Naquele momento culpei-me por todas as circunstâncias, senti a saudade futura como uma perda irreparável. Na verdade o que perdi, porque sei que perdi, foi a oportunidade de viver certas partilhas tão únicas e espontâneas que nunca tivemos. O consolo de encontrar o teu abraço quando as coisas não correram bem ou a euforia de saltar para o teu colo porque as coisas boas também me acontecem.
Ainda hoje a convivência não é diária. Agora, quatro anos depois daquela nossa conversa, sei que não é o momento para encontros diários, já somos mais adultos, cada um com os seus projectos e compromissos. Ainda assim gosto de te ligar para dizer e saber como foi o dia. Agora já não dizemos amo-te a cada vez que a conversa termina. Não sei se agora essa palavra vale mais, significa mais, ou menos... Mas sei que agradeço todos os dias por não termos acabado aquela conversa de costas voltadas.

1 comentário:

Cláudia S. Reis disse...

O que importa é que a distância não vos afastou assim tanto quanto temias...


r: Diz pois. Se formos daqueles que come a bolacha em duas dentadas significa que somos demasiado apressados. Se, pelo contrário, a comermos devagar significa que gostamos de saborear os pequenos prazeres da vida...