19.11.13

O que o meu espelho não mostra


Não sei porque é tão difícil gostarmos de quem somos. Normalmente assinalamos os nossos defeitos a marcador mas esquecemos que também somos feitos de coisas boas. Sinceramente não sou daquelas pessoas que se crucificam por não ser perfeita. Não conheci ninguém que o fosse, mas não lhes vejo apenas o lado cinzento e amargo, vejo também o lado bom. Se me perguntarem o que gosto em mim, digo que é a tolerância e a sinceridade. Por vezes temos de fazer de conta que não vemos, mesmo que nos revolte, para que possamos avançar. Aprendi recentemente a fazê-lo. Se me perguntarem o que gosto em mim, diria, também, que a minha capacidade, recente, de me desligar das pessoas e me tornar mais independente. O que o meu espelho não mostra é que essa independência pode sair cara, que por ela posso abdico de alguns momentos de lazer para me tornar adulta. Porque, para além da independência emocional, a económica é essencial para mim. Não mostra, também, as minhas dúvidas quanto ao futuro. Se mostrasse viam-se buracos em mim, vazios, transparentes. Mas o que o espelho não mostra, eu sinto na mesma. Eu sou na mesma. Talvez seja mesmo melhor assim, permanecer incógnita e sem me debruçar muito sobre o assunto. É que, sabem, quando olho para quem sou sinto-me abater porque espero sempre mais. Mais brilho.

3 comentários:

Lúcia disse...

tu tens muito brilho, acredita

Saturnine Luna disse...

E, mesmo que o mundo tivesse às escuras, a luz destas tuas palavras, seria sempre o leme de muitas almas, à procura de abrigo.

Sophie Coldheart disse...

É importante que sejamos capazes de ver o melhor em nós próprios e não apenas as falhas... O espelho não mostra aquilo que somos, mostra aquilo que temos. Porque nós não temos uma alma. Nós somos uma alma. Nós temos um corpo.