28.8.13

Para o meu pai

Escrevo-te enquanto estás ao meu lado e nem sonhas que é por ti que os meus dedos dançam sobre o teclado. Sinto ternura quando olho para as fotos antigas e me vejo no teu colo, abraçados. Não sei quando foi a última vez que nos abraçamos mas sei que não são precisos para que te ame e para que me ames. Sempre fizeste tudo por mim, e ensinaste-me que o caminho também se faz de erros, de avanços e recuos. Vi-te a errar e disse-te quando o fizeste, e tu fazes o mesmo comigo. Acho que devíamos ser irmãos, não pai e filha. Um dia disseste-me que era lúcida, racional e ponderada, talvez mais do que tu. Senti o orgulho na tua voz embora não o tenha admitido. Sei que te orgulhas do que escrevo embora não o leias. Orgulhas-te quando te falo dos meus livros, quando escrevo para a revista da escola, quando passo horas de volta das cartas e dos meus blocos. Acima de tudo sinto que não me pressionas e me dás espaço para falhar, para decidir, para ser eu. Quando um dia te perder talvez perca o rumo, mas não vou perder o amor que te tenho.

5 comentários:

Sunshine disse...

Quem me der que o meu pai fosse assim...
Mas adorei o texto, está fantástico :O

mariana disse...

ohh, és mar salgado :)

Make It Happen disse...

Espetacular Mariana :')

Lúcia Pereira disse...

é bom que tenhas assim uma relação com o teu pai :)

Jessica disse...

A última frase deixou-me o coração pequenino porque me identifiquei, mas aqueceu a alma ler este amor (: