12.7.13

Sempre que leio um livro sobre o cancro, ou ouço o relato de alguém que sofreu essa fatalidade, fico emocionada. Estou a ler o livro Como é Linda a Puta da Vida de Miguel Esteves Cardoso, e na dor dele encontro a dor que também eu, que perdi um familiar para a doença, senti e ainda sinto. Ele ainda tem a sua Maria João, mas mesmo assim está a ensinar-me a lidar com a angústia que a doença em mim deixou, mais de seis anos após a morte. O cabrão do cancro, como lhe chama, fustiga quase todas as famílias, tornou-se o Fatum moderno, aquele ao qual não conseguimos fugir. Apenas fui uma vez ao IPO, mas ainda hoje guardo o cheiro e as memórias em mim. A dor dos doentes amenizada pelo sorriso de quem não cuida apenas do corpo, mas revigora a alma. Não há palavras que amenizem a dor do cancro, conselhos não tiram as dores. Por vezes desejamos força e essa força não é para os doentes- é para quem os rodeia, é para a família, é para todas as pessoas do mundo que foram confrontadas com a sua pequenez face a uma doença que tira vidas e a um Deus que brinca com as circunstâncias. Citando, de novo, Miguel Esteves Cardoso, São os fortes à volta do fraco que têm de usar a força deles para ajudá-lo. São os capazes de ser positivos que têm de animá-lo.
Apenas quero desejar coragem a quem está na jornada contra o cancro, doentes,amigos ou familiares.

4 comentários:

Blackbird disse...

A minha mãe já passou por isso, felizmente agora está tudo bem. É horrivel, não desejo isso a ninguém :s

sam disse...

obrigada

Cau disse...

Também perdi uma pessoa importante para o cancro e é complicado aceitar que uma doença estúpida nos roubou tempo com alguém que amamos.
Ainda não li o livro do Miguel Esteves Cardoso mas vou querer ler, sem dúvida.

bruna disse...

fizeste-me querer ler esse livro. A minha avó infelizmente passou pelo cancro da mama e eu todos os dias durante dois anos estava no IPO... felizmente ela ficou bem, mas o meu coração nunca mais foi o mesmo