13.7.13

Quando a acalmia se desloca e aporta em nós como um barco no cais, reencontramos a paz que nem sabíamos que nos faltava. O silêncio pode ser a nossa casa nos dias de tempestade se nele conseguirmos ver mais do que vazio, se lhe encontrarmos os contornos e lhe preencher-mos a forma com o conteúdo pacífico e mesclado do que somos. Nem sempre o homogéneo é o mais claro. Torna-se enganadora a vida pacata e simples que todos almejamos. Tão simples a queremos e tantos artifícios usamos para a alcançar que quando a conquistamos e olhamos para trás uma revolta revela-se. Vinha escondida na bagagem, junto com os sonhos e as ambições. A maior bagagem, a mais pesada e inalienável, é todo o conjunto de factores que nos torna na pessoa que somos, na pessoa que já fomos. O que formos nunca substituirá a pesada angústia da pequenez do que somos, mesmo que venhamos a ser o mundo inteiro que alguém absorve com um simples olhar.

5 comentários:

mariana disse...

tu és mais que o mundo, nem sal nem pimenta. és água :)

Dαvid disse...

Sim, todos cometem erros, depois alguns são desculpáveis, outros nem tanto.

O que formos não substitui o que fomos, mas se o passado for transportado para um melhor futuro, o peso fica mais leve, gostei do texto ;)

Blackbird disse...

Adorei o texto, identifiquei-me tanto...

R: Achei o filme mesmo mau. Não tem história nenhuma, é muito incoerente. Rabos, mamas, sexo e drogas... É que nem uma mensagem boa passa, antes pelo contrário!

disse...

oh, se tu soubesses o quanto gostei de ler isto aqui. gostei mesmo, e vou passar mais vezes por aqui :)

Cláudia Ribeiro disse...

Gostei muito. Sigo-te.