23.7.13

O silêncio da despedida. A despedida de quem nos ensinou a ser - ser apenas, sem adjectivos qualificativos. Toda a nossa vida somos preparados para as despedidas como se fossem algo mau, mas ninguém nos explicou como sabe bem entrar numa casa vazia, apenas cheia de paredes brancas e espaço para o som fluir. Como sabe bem ter um futuro nas nossas mãos e as dificuldades a fazer-nos arregaçar as mangas. Nunca nos falaram no lado bom de estar só porque o medo tolda sentidos e não deixa experimentar. Quando cheguei aqui apenas havia uma cama, e eu dormi no chão. Ria sem saber porquê e deixava-me embalar pelas histórias que as paredes me contava. Tocava-as e sentia-me bem porque, serenas, me mostravam que o mundo pode ser a minha casa. E isso é bom, porque da minha casa eu posso fazer o que eu quiser, o que quer que me faça sentir bem. Hoje tudo o que quero é uma casa vazia, em branco, para poder recomeçar. Queria que, hoje, a minha casa fosse a minha mente e pudesse recomeçar de novo. E posso.

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