22.6.13


É no silêncio da manhã que floresço. Nada se compara ao canto dos pássaros quando o Sol dá sinal de começar a nascer, aquelas brincadeiras entre eles nas quais nos integramos pelo som. Se, um dia, me dessem asas, eu talvez não quisesse voar para o outro lado do céu. Já imaginaste como se vê o céu de lá de cima? Se para nós é azul claro e vivo, quem vê acima dele só deve ver escuro. Talvez por isso não devêssemos querer dar as rédeas do nosso destino a um Deus que tem um manto turvo que não o deixa ver-nos. É por isso que depois nos queixamos do Futuro que nos coube em sorte. O meu Deus é a Natureza, são as pessoas que se cruzam comigo e me dão sorrisos. Todos os grandes autores são como deuses para mim e as suas palavras são os meus mandamentos, confissões e medos. Se me dessem asas eu queria ficar aqui mesmo e brincar. Brincar a cada nascer do sol, e cantar para as pessoas amadas que sorriem por volta dessa hora, e para as pessoas que um dia esperam voar.

3 comentários:

Inês disse...

que bom. está verdadeiramente belo. oh, e como sabe bem ler-te...

mariana disse...

eu não quero voar para outro lado do céu. Há mais brisa aqui, na tua literatura, que noutros cantos do universo :)

Saturnine Luna disse...

adoro!