7.4.13

ontem, à beira rio, contrariamos o poema com que nos cruzamos gravado em pedra

Pela montanha alcantilada 
Todos quatro em alegre companhia, 
O Amor, o Tempo, a minha Amada 
E eu subíamos um dia. 

Da minha Amada no gentil semblante 
Já se viam indícios de cansaço; 
O Amor passava-nos adiante 
E o Tempo acelerava o passo. 

— «Amor! Amor! mais devagar! 
Não corras tanto assim, que tão ligeira 
Não pode com certeza caminhar 
A minha doce companheira!» 

Súbito, o Amor e o Tempo, combinados, 
Abrem as asas trémulas ao vento... 
— «Porque voais assim tão apressados? 
Onde vos dirigis?» — Nesse momento, 

Volta-se o Amor e diz com azedume: 
— «Tende paciência, amigos meus! 
Eu sempre tive este costume 
De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus! 

António Feijó, in 'Sol de Inverno'

3 comentários:

Inês disse...

espetacular.

joana disse...

gostei do poema, é verdadeiro. mas gostava que o amor ficasse, mesmo com o passar do tempo...

Joo disse...

Não sou fã de poemas, mas gostei.