9.11.12

Quantas das coisas que criamos não nos criam, na verdade? Criamos o que nos define ou somo criados por isso? Acontece simultaneamente esse processo de adaptação e de transporte de valores e de filosofias, acontece num olhar que nos marca e no olhar com que demarcamos o que nos rodeia. O olhar que nos permite ver para além do visível. E quando ver dói, esse olhar tapa o subjectivo e deixa-nos com objectos que, por estarem vazios, nos enchem de certezas quando dúvidas é o que respiramos desde que nascemos. Não tenho opiniões sobre o real porque não sou ninguém para fazer juízos de valor: fazê-lo sobre o que é real e palpável e ridículo, porque não ficam dúvidas; fazê-lo sobre o que é subjectivo é ridículo porque, lá está, é subjectivo. O que sobra de tudo isto é uma tábua de valores rígida, que se adapta ao passar do tempo mas não se deixa vergar nem quebrar por motivos que não o chegam a ser porque são ocos de conteúdo. As pessoas são ocas de sentido. Tudo, actualmente, é oco de sentido e por isso não podemos pedir o impossível.

4 comentários:

nicolemorais disse...

Adorei, está fantástico!

mariana disse...

agora parece tudo incompreendido e sem explicação não é? adoro, vou seguir. escreves muito bem :)

mariana disse...

espero que nunca aconteça :) obrigada

Ana. disse...

http://followyourdreamsalways00.blogspot.pt/2012/11/desafio-paricipem.html participa ^:p