12.11.12

Pássaros-Livres #7


Não posso dizer que fiz de ti minha heroína porque foste tu que te tornaste assim. Os céus nos quais cresceste cortaram-te as asas antes que aprendesses tudo. Será possível aprender tudo? Apreender tudo? O que é tudo, para ti? Sem que me perguntes, digo-te que para mim tudo é conseguir criar um ninho, a muito custo, e poder ser a primeira a sair dele porque a nossa casa é onde nos sentimos bem e eu sinto-me bem é a ser livre. Prendi-me às pessoas e aos lugares como se isso bastasse para ser feliz. Na verdade o que eu queria era viver de memórias, dos céus que rasguei vitoriosamente e dos céus que me rasgaram sem que me apercebesse. Mas viver de memórias não é bom para ninguém, muito menos para nós, que queremos ser livres. Um dia, o que hoje vivo não passará de uma memória. Daqui a pouco tudo isto que sinto ao escrever-te será uma memória. E eu não estou preparada para isso. Perdi-me em céus e em ninhos de tanto procurar. E quando fechei as asas fizeste-me sentir aconchegada por uma asa externa que se tornou uma parte do meu pequenino corpo. Sou dócil e frágil, mas não sou fraca. E aprendi isso cheirando uma flor, a flor mais linda do meu jardim.

Com a simplicidade que nunca consigo atingir, 
um abraço Cláudia.

3 comentários:

mariana disse...

fizeste-me chorar :')

daniela disse...

oh, muito obrigada! sê bem vida :)

Joo disse...

Adoro ler as vossas "cartas" :)