8.11.12

Pássaros-Livres #6

 
Lembro-me como se fosse hoje. A ansiedade que senti antes e o medo que senti depois. Os primeiros voos que me ensinaram o que é ser livre. São daquelas lições que não nos surgem de repente. Vão surgindo conforme vamos evoluindo, aos poucos, ao ritmo de cada um. As melhores coisas da vida acontecem quando o pensamento não está por perto. Mas, então, porque é que tendemos a racionalizar tudo? Um olhar não pode ser apenas um olhar? Com o misticismo e magia que cria, é certo, mas não pode ser vivido sem explicações e significância posterior? Se é, tem de ser aproveitado no momento. Lembro-me como se fosse hoje do primeiro, do maior. Nem sempre o primeiro é o maior e o mais importante, mas normalmente é aquele que nunca esquecemos. O tempo passa: tens fases em que cria e multiplica, e outras simplesmente arrasa, mói. Olho para dentro de mim: não me conheço mas em partes reconheço quem fui no tempo da felicidade. As cicatrizes ficam sempre, mesmo que decidamos voar. Voar, perder os céus e nos céus porque são imensos e tal como a felicidade que temos em potência, há sempre uma parte que está destinada a nós, apenas a cada um de nós. Não sou poucas as vezes que esta rotina me abala, que me tira o chão. E se nos tiram o chão que nos resta fazer senão voar? E quando isso acontece tenho vontade de te procurar. Um dia destes voo até ti, de repente, e mostras-me a tua liberdade enquanto nos vamos libertando do que ainda nos prende.
 dos voos que juntas faremos, minha Cláu

2 comentários:

Aurora disse...

Sabes que adoro <3

s. disse...

também adorei, foi a melhor maneira de encerrar o poema!