28.9.12

Pássaros Livres# 3



Por vezes temos de voar para longe para nos sentirmos em casa. Porque a nossa casa não é só o nosso quarto ou o local onde nos sentimos bem. Algumas vezes isso chega, mas acima de tudo a nossa casa é onde nos sentimos bem com aqueles que amámos. Ambas estamos a preparar-nos para uma pequena migração: amanhã o nosso destino será o mesmo, embora por razões diferentes. Eu vou para me manifestar, porque embora menos calculista do que tu, também eu me revolto. As andorinhas não são só doçura, também se tornam agressivas para defender os seus, e eu torno-me firme para defender aquilo em que acredito. E tu vais porque finalmente vais estar perto daquele que amas. Amizade também é amor, nunca te esqueças disso. O amor sem amizade não existe. A nossa vida é mesmo coincidente, mesmo que distante. Amanhã vais tu para perto daquele que ainda te faz parar e respirar fundo apenas por ouvir seu nome, e hoje estive eu. Só te digo uma coisa: por vezes temos de ter calma, não explodir à menor faísca. Por vezes, mesmo que assustadas, temos de parar, aceitar que nos acariciem desde as penas até à alma, e só depois, de coração cheio, partir. Não há nada pior que partir. Entrar no caminho que nos levará de volta a casa e... seguir. Sem olhar para trás, porque assim dói mais. Seguir até já não conseguirmos distinguir as formas, mesmo que as lágrimas tornem ainda mais difícil levantar voo... Porque partir é a pior parte mas quem migra sabe que tem de ser.

Sem grandes filosofias porque já está em modo de viagem,
para  a Cláudia, uma viajante como eu.

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