24.9.12

Pássaros Livres #2



A verdade é essa: sabemos que nascemos, que vivemos uns tempos, que nos renovámos e que vamos morrer. A liberdade resume-se a fazer cada segundo valer a pena, seja de que forma for.  Temos formas diferentes de viver, e estou certa de que já experimentámos coisas totalmente opostas. Mas que importa isso? No nascimento fomos iguais, e na morte iguais vamos ser. Por vezes estamos sós no meio de uma multidão. É clichê, eu sei. Mas há as vezes em que no silêncio e no vazio humano estamos melhor acompanhados do que nunca. Personalidades multifacetadas. Muitas almas num só corpo, e o que é certo é que todas elas se interceptam. A escrita é algo irracional. O momento de criação, os milhentos pensamentos que temos na cabeça e a escolha aleatória das palavras que melhor os exprimem. Há sempre uma força maior e essa é uma das lições que extraí de ti. Algo que nos leva a agir de determinada forma, algo que não nos deixa desistir. Nem sempre lhe conseguimos definir a forma, quase nunca somos capazes de a ver para além dos contornos distorcidos. Uma pancada nos olhos que primeiro nos atordoa. Uma confusão de cores que nos cegam porque não são a escuridão a que estamos habituadas. A luz ofusca-nos, e por isso não conseguimos olhar-nos muito tempo ao espelho. Somos a nossa própria luz e a luz para alguns dos que nos rodeiam. Confiam em nós mais do que em eles mesmos e fazem das nossas dicas, leis sagradas. Somos humanas e nunca estamos satisfeitas. O que não temos é aquilo de que mais precisamos, e o que temos é aquilo pelo qual muitos outros são capazes de dar a vida. Essa busca constante, voos longínquos que fazemos sem poisar nem por um segundo. Somos humanas, somos parte daquele grupo restrito que é capaz de passar uma eternidade em busca de nada. O caminho vale mais do que a meta, enriquece-nos mais.


Se calhar nada disto faz sentido, mas estou certa de que darás 
um sentido próprio a cada palavra, Cláu.

Sem comentários: