10.8.12

entre aspas

«Tenho medo. Muito medo. E talvez nem tu te importes com isso. Talvez nem tu saibas que, todos os dias, me escoem mares de lágrimas pelos olhos inchados, vermelhos, de tanta dor. E que no meu engenho, corre um vórtice repleto de padecimento e a esperança que a corrente me leve, sem me trazer. Eu tenho medo. Um terror descomunal desta solidão que assola o meu ser e que destrói o âmago da minha alma. E, o mais certo, é reduzir-me à pequenez desta doença que tanto desejei e que hoje, já não quero mais. Que, embora precise, só me faz sofrer. É que, viver também cansa. Onde nada muda, nada se transforma, e é tudo igual, também cansa. E eu estou demasiado cansada de remendar todas as chagas impostas ao meu coração e de retirar os punhais que me esfaqueiam o físico. E é por isso que te escrevo. A ti, que nem sabes quem eu sou. Que não sabes pelo que passo. Nem por quem chamo. Que não sabes o meu nome. E muito menos a história da minha vida. Mas, talvez tu precises de mim. Talvez tu saibas o que é Amar somente uma vez, mas que isso baste para seres feliz. Baste para lhe dares a tua vida, mesmo que ela não dê por ti. E, quem sabe, talvez também eu precise de ti. Que estejamos os dois perdidos, num beco sem saída, e que duas mãos sirvam para, cada um de nós, esboçar um sorriso. Daqueles bem verdadeiros. E se estás aí, não importa onde, vem e dá-me um sinal. Garanto-te que serei eu mesma. Chata e cheia de razão. Teimosa e orgulhosa. E muito, muito, mimada. Porque, mesmo a abarrotar de defeitos, e a cometer erros atrás de erros, também sei cuidar. Também sei varrer a poeira que outros deixaram e tratar do jardim, como se fosse meu. E mesmo que eu própria origine uma azáfama nesse teu coração de ouro, eu sei afugentar cada pedaço que criei. Por isso, quando achares que tens todos os motivos para caíres, eu dar-te-ei outros tantos para te ergueres. Não direi que vai ficar tudo bem, porque não acredito que isso resolva alguma coisa. Mas se ao ler os teus olhos e me aperceber que é de um abraço que precisas, eu abraço-te. Ou até permanecerei em silêncio e chorarei contigo. Não importa se é tarde, ou se está frio na rua, eu sei estar presente. Mas também sei fugir. Também me sei afastar sem razão aparentemente plausível. Ou magoar. Eu não sou perfeita. E terás de possuir muita paciência para me aturar. Mas se me desejares, de que maneira for, irás gostar de mim tal como sou. Com todas estas falhas que tanto pretendo culminar. E irás ficar comigo. E, se me prenderes, de uma maneira que nunca ninguém conseguiu, também eu irei ficar contigo. Também eu irei gostar de ti. E, quem sabe, seja para sempre.»

retirado do blog da m.

2 comentários:

Aurora disse...

obrigada linda <3

Esther disse...

a mesma mensagem te deixo: se precisares podes contar cmg :) boa noite