10.10.10

Sim, eu sei que errei muito. Talvez não seja a maneira mais bonita de começar, mas mal penso em ti, mal penso em nós, vejo que tudo está assim por causa de um erro, um erro meu.
E esse erro veio porque vivi, vivi muito contigo, ou aprendi verdadeiramente a viver.
Sempre que penso no que éramos e em tudo o que poderíamos ter sido, lembro-me que acabou por um erro meu.
Eu lembro todas as coisas que vivemos, tudo o que aprendemos e o orgulho que sentíamos, o orgulho que tu sempre mostraste sentir em mim e no que eu era para ti.
Há duas coisas que eu não esqueço, o teu sorriso, e o teu olhar.
Mas só o sorriso e o olhar não chegaram, eu queria mais, eu queria menos, eu queria tudo, eu não queria nada, eu não sabia o que queria, eu não sabia se queria.
E o problema estava mesmo aí, em eu não saber se queria. Se tudo avançou foi por ti, porque eu não te queria ver mal por minha culpa. Não foi por pena, porque eu por ti sentia algo muito mais forte que pena, mas foi por não te querer desiludir nem que desistisses de mim.
Mas chegou uma altura em que não aguentei tanta pressão, não aguentei continuar com uma coisa que nunca foi o meu objectivo, e contei-te.
Naquele momento, que foi deveras o que teve mais impacto, eu só queria ver o teu sorriso e o teu olhar, para ter força para te dizer o que sempre quis, para te dizer que te amava.
Mas não, tive que te dizer o que sentia, e tu não sorriste , nem compreendeste. Eu juro que não te culpo, mas eu queria tanto que enquanto falei contigo olhasses para mim, queria tanto que me olhasses nos olhos e recordasses o que vivemos.
Mas não olhaste, não tiraste o olhar do chão, e a boca não foi usada para sorrir, foi antes usada para morderes o fecho do casaco, só para não chorares à minha frente.
Eu não queria que acabasse daquela maneira, mas não me deixaste explicar, nem me deste oportunidade de te amar de outro modo. Para ti era tudo ou nada, não tive capacidade para te acompanhar.
Só me querias a mim, só me vias a mim, e aqui já nada fazia sentido se não fosse para mim. Decidiste sair, partir para outro lugar.
Na altura não te entendi, pensei que te tinhas tornado cobarde e que precisasses de fugir para não teres vontade de me dar outra oportunidade.
Só agora, depois destas parvoíces todas e de te ver de mochila às costas é que tive coragem para voltar a falar contigo. Só nesse momento é que percebi quem verdadeiramente eras para mim, o que queria, o que sempre quis mas nunca te disse. Mas não podia ser tarde de mais. O comboio estava quase a chegar, eu via-o lá no fundo a aproximar-se e o tempo a acabar.
E eu corri, corri, corri, gritei tanto o teu nome que nem pensavas que eras tu, pensavas não ter ninguém que gostasse tanto de ti para te chamar daquela maneira. E o som da minha corrida e do meu respirar ecoavam naquela enorme estação, até que olhaste para trás, um ultimo olhar para esta terra. E aí tu viste-me. Percebeste que era eu quem te chamava, olhaste-me nos olhos, e sorriste. Só tive tempo de correr ainda mais, de agarrar na tua mão e dizer : “Olha para mim, olha-me nos olhos, recorda tudo o que vivemos. Ainda tens coragem para me deixar e partir para o desconhecido? Não negues que eu sou a tua fonte de amor”.



E não negaste, abraçaste-me e tornámos aquele momento em eternidade, e fizemos do nosso amor uma lenda.

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